Excesso de água em plantas mata espécies cultivadas dentro de casa
O excesso de água em plantas cultivadas dentro de casa tem se tornado uma das principais causas de perdas durante o verão, segundo especialistas em cultivo interno. O problema ocorre quando a frequência de rega aumenta sem considerar as condições reais do ambiente doméstico, como ventilação, luminosidade e tipo de vaso, criando um cenário desfavorável para o desenvolvimento das raízes.
Com temperaturas mais elevadas, muitos cultivadores acreditam que as plantas precisam de mais água para sobreviver. No entanto, dentro de casas e apartamentos, a evaporação ocorre de forma mais lenta do que em áreas externas. A combinação de pouca circulação de ar, luz indireta e vasos decorativos faz com que o substrato permaneça úmido por longos períodos, favorecendo o apodrecimento radicular.
Excesso de água em plantas provoca asfixia das raízes
Ao contrário do que se imagina, plantas afetadas pelo excesso de água nem sempre apresentam sinais imediatos de apodrecimento. Folhas murchas, amareladas ou com queda repentina são sintomas comuns e frequentemente confundidos com falta de água. Esse erro de interpretação leva a regas ainda mais frequentes, agravando o problema.
Botânicos explicam que o solo encharcado impede a oxigenação adequada das raízes, processo conhecido como asfixia radicular. Sem oxigênio suficiente, as raízes deixam de absorver nutrientes, comprometendo todo o metabolismo da planta, mesmo quando a parte aérea ainda aparenta vitalidade.
Espécies populares em ambientes internos estão entre as mais sensíveis a esse tipo de manejo inadequado. Suculentas, cactos, zamioculcas, jiboias, ficus e peperômias possuem sistemas radiculares adaptados a períodos de menor disponibilidade hídrica. Quando cultivadas em vasos sem drenagem ou em substratos muito compactos, essas plantas se tornam especialmente vulneráveis ao excesso de água em plantas mantidas dentro de casa.
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O problema é intensificado pelo uso de cachepôs fechados, vasos sem furos e substratos com alta retenção de umidade. Esses elementos, comuns na decoração de interiores, dificultam a drenagem e mantêm o solo constantemente úmido. Especialistas recomendam o uso de substratos mais leves e bem aerados, além de atenção ao tipo de recipiente utilizado no cultivo interno.
A ideia de que regar com frequência demonstra cuidado vem sendo revista por profissionais da área. Em ambientes internos, observar o comportamento do substrato e da planta é mais eficiente do que seguir calendários rígidos de rega. O peso do vaso, a umidade abaixo da superfície do solo e o aspecto geral das folhas são indicadores mais confiáveis.
O aumento de casos de plantas mortas por excesso de água também reflete mudanças no comportamento doméstico. Com mais tempo em casa, muitas pessoas intensificaram os cuidados com o cultivo, transformando o excesso de zelo em um fator de estresse para as plantas. Nesse contexto, o cultivo interno exige mais observação e menos intervenção.
Segundo orientações da Embrapa, o excesso de água é uma das principais causas de apodrecimento radicular em plantas ornamentais.
Para plantas cultivadas dentro de casa, o verão não significa mais água, mas mais atenção. Compreender os limites do ambiente interno é essencial para manter plantas saudáveis e evitar perdas que poderiam ser facilmente prevenidas.
Escrito por Dalva Braga
